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  • Foto do escritorAlexandre Barbosa

Ferramenta ou Tirania?




O modelo tradicional da vida sempre foi dividido em duas partes: um período de aprendizado e um período de aplicação, de trabalho.

Na primeira parte, você acumula informações, desenvolve habilidades e competências. Na segunda parte, você confia no que adquiriu durante a primeira parte para ganhar a vida e contribuir para algo - Por óbvio, você continua a aprender coisas novas, até nos estágios mais avançados da segunda parte, mas o normal é que sejam apenas pequenos ajustes no que você já possui.


"Nos meados do século 21, a aceleração da mudança somada a uma vida útil mais longa tornarão este modelo tradicional obsoleto. A vida se romperá pelas "costuras", e haverá cada vez menos continuidade entre diferentes períodos da vida. “Quem sou eu?” será uma questão mais urgente e complicada do que nunca.” - Yuval Noah Harari


Guarda isso, por favor.


Em um dos treinamentos da FranklinCovey - As 5 Escolhas para uma Produtividade Extraordinária - a escolha 4 é usar a tecnologia a seu favor, não ser controlada por ela. Aqui levanta-se uma questão interessante: A tecnologia é ferramenta ou tirania?

Parece-me que hoje, especialmente, diante de toda discussão sobre Inteligência Artificial (IA), essa pergunta fica ainda mais importante.

A preocupação é tão grande que o Future of Life publicou uma carta aberta convocando todos os laboratórios de IA a interromperem imediatamente, por pelo menos 6 meses, o treinamento de sistemas de IA mais poderosos que o GPT-4. "Essa pausa deve ser pública e verificável e incluir todos os principais atores. Se tal pausa não puder ser decretada rapidamente, os governos devem intervir e instituir uma moratória." (https://futureoflife.org/open-letter/pause-giant-ai-experiments/)


Guarda isso também.


Viktor Frankl, no seu livro, Em Busca De Sentido, explica que todos os seres humanos, ao contrário dos animais, têm autoconsciência e a capacidade de agir com base nessa consciência. Isso significa que somos capazes de responder a um estímulo de uma forma completamente diferente do que nossos instintos sugerem e até mesmo do que nos foi ensinado.

No artigo Não Adianta (Só) Saber, comentei que parei de fumar mas, é claro, alguns gatilhos trazem a vontade de voltar a fumar. Por exemplo, estou escrevendo esse artigo no último dia de uma semana em Paris, onde as pessoas fumam muito. Resisti bravamente!

Ao ser elogiado pela minha esposa e filhas de ter vencido a “tentação”, reafirmei o princípio da liberdade de poder escolher, pois senti a liberdade de mesmo podendo fazer, decidi não fazê-lo. Isso de fato é ser livre!

Nosso poder como indivíduos está baseado nessa liberdade de escolher e por isso Dr. Covey colocou Ser Proativo como o primeiro hábito no seu best-seller Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes.


Colocando tudo junto!

Essa autoconsciência, o autoconhecimento, a resposta a pergunta “Quem sou eu?” será o nosso grande seguro para que a tecnologia seja uma ferramenta e não uma tirania que pode nos levar para onde ela quiser.


No mundo dos negócios e nas nossas vidas, não é possível executar uma estratégica sem investir recursos, energia, foco e escolhas coerentes com o objetivo que queremos alcançar. Acontece que antes, precisamos definir claramente para onde vamos, pois corremos o risco de depois de subir com eficácia uma escada, descobrirmos que ela está apoiada na parede errada. Para descobrir para onde vamos, precisamos nos conhecer profundamente e escolhermos de forma consciente e coerente com nossos objetivos.


Nosso grande desafio ao longo dos próximos anos será como poderemos nos diferenciar, em relação as capacidades que as tecnologias estão oferecendo.

Esse artigo não está sendo escrito usando IA, mas certamente poderia ter sido e talvez até ficasse melhor e, sinceramente, acredito que simplesmente escrever pode não ser mais um diferencial humano.


Aprendi há alguns anos, lendo Clayton Christensen, a evitar o erro do custo marginal. As organizações tendem a aplicar o que deu certo no passado ao invés de buscarem o desenvolvimento das capacidades necessárias para o futuro. A causa raiz desse comportamento, na minha opinião, é o paradigma imediatista que temos. Por que investir em algo que trará retorno no longo prazo, se podemos ganhar algo no curto prazo?

Recentemente, recebi um vídeo de uma campanha preventiva do suicídio infantil, promovida por um médico de Curitiba que mostra um dado muito alarmante: 83% das crianças se sentem trocadas por um celular. Em que esses pais estão investindo, no curto ou longo prazo?

Para eu escrever melhor que a IA, preciso investir em capacidades e habilidades de longo prazo, preciso me diferenciar pela minha capacidade cognitiva, por conseguir interpretar, por conseguir ligar os pontos e por criar uma conexão real com o meu leitor.


Passei quase 30 anos no mercado de tecnologia da informação e vibro ainda hoje com as contribuições incríveis que a tecnologia traz às nossas vidas.

Não tenho dúvida que a tecnologia contribuirá ainda mais e que depende de cada um se ela ditará o rumo da sua vida ou será apenas uma poderosa ferramenta que o ajudará a alcançar os objetivos que realmente importam.


Os algoritmos cuidarão de tudo. Se, no entanto, você deseja manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro da vida, precisa correr mais rápido que os algoritmos, … e se conhecer antes deles. - Yuval Noah Harari



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