Buscar
  • Alexandre Barbosa

Um Túnel de Gás Lacrimogênio

Durante um bate-papo virtual, um grande amigo, desde os tempos do Colégio Naval e também oficial de Marinha, comentou uma situação que tínhamos vivido, quando estávamos na ativa, que eu não me lembrava:

“Eu fui, pela primeira vez, chefiar um destacamento do Batalhão de Engenharia, lá naquele grupamento operativo precursor que ia para Marambaia (Ilha da), uns 30 dias antes, para preparar a área logística, a estrutura toda para que os Batalhões fizessem seus treinamentos…Naquela oportunidade, eu devia ser Primeiro-Tenente, …

… lembro muito bem, quando você chegou … com a missão de montar aquelas pistas de navegação diurna e noturna…

Mas você não quis ficar com a gente, ali na estrutura principal, pertinho na área de desembarque … tinha banheiro, tinha chuveiro, tinha refeição, tudo ali pertinho… você preferiu ficar lá na área com seu pessoal. Eu até lembro disso porque você usava uma quantidade de bagagem muito pequena e aí você disse que era uma rede de selva e que bastava …

… teve uma oportunidade que você pediu apoio dos pioneiros para montar uma pista…

Eu mandei uma equipe e fui também… Tinha uma pista quase pronta, com um túnel (cavado na terra), com duas saídas, uma fechada e uma aberta.

Aí lembro que, brincando, disse que quando tivesse pronta, você poderia me chamar que eu ia trazer o meu pessoal para passar (na pista) e fazer um teste…

Aí, rapaz, foi o meu erro! Fui lá e você estava com a tua equipe, eu acho que eram 3 sargentos… e aí eu fui na frente…Aí você me ferrou e botou todo mundo para fazer aquecimento com o armamento. Eu não tinha fuzil, me arrumaram um, aí tinha aquele negócio de pagar polichinelo e etc… para depois de cansado fazer a pista.

Enquanto a gente estava fazendo o aquecimento, você dava as instruções, com aquele palavreado próprio “seus molambos”, et cetra e tal…

…o primeiro que chegasse do outro lado ganhava esse “crucifixo” … não sei se era uma corrente de ferro… um troço pesado para ficar no pescoço até vir o próximo.

…o problema, que eu nunca mais esqueci, foi que eu entrei no túnel, rastejando, eu fui o primeiro e vocês tinham jogado uma ou duas granadas de lacrimogênio, então estava com muito gás. E eu fiquei aloprado porque na primeira tentativa, eu bati na extremidade que não dava certo para sair do túnel e aí eu só ouvia a gritaria, de lá de dentro: “vamos ter que mandar alguém pra tirar …, mas ele é molambo!” e coisa e tal. Aí eu consegui sair pelo lado certo e quase não respirava.

Aí, quando terminei os outros obstáculos, tinha que pagar moral mesmo, né? Porque a equipe toda era subordinada a mim e fui lá para aquele ponto. Você ria pra caramba… você usou a gente de cobaia para ver se a pista estava pronta… um abração.”

Bem, além de ser bom relembrar os velhos tempos, tem um ponto muito importante:

Ser um exemplo, modelar o comportamento e a cultura que quer cultivar na sua organização, é um papel essencial do líder.

Pouco importa se você lidera uma equipe pequena ou uma grande organização, tenha em mente que suas ações e seus comportamentos impactam muito mais que suas palavras!

Faça como o meu amigo, seja um exemplo, por mais difícil que seja a iniciativa!

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

A Arte de Liderança dos Comandos Anfíbios

Em breve, vou lançar o livro A Arte de Liderança dos Comandos Anfíbios - Os 7 Princípios da Tropa de Operações da Marinha para Equipes de Alta Performance. Você quer ter uma equipe de alta performance