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  • Alexandre Barbosa

Papinha e Costela

Eu havia saído da Marinha há mais ou menos três anos. Muita coisa já havia acontecido, inclusive a mudança com toda a família, do Rio para São Paulo.

Lembro que a minha filha mais nova tinha nascido, dias antes de eu entrar na recepção da empresa que estava me fazendo uma proposta de trabalho. (Caraca! Isso faz tempo, hein?)

O prédio não era lá essas coisas, mas além de ajeitadinho, ficava bem mais perto de casa.

A empresa estava em franco crescimento. O country manager era meu conhecido e era a segunda vez que me faziam a proposta. Desta vez não neguei.

A moça ficava na recepção, se eu não me engano, às vezes usava um macacão jeans. O sorriso meio escondido mostrava que não possuía condições de ajeitar algumas coisas. Os olhos eram azuis, da cor do céu, mesmo!

Passados alguns meses, um colega, diretor de canais, resolveu que ela poderia ajudar com alguns trabalhos operacionais. Não demorou muito para a gente perceber que o potencial era maior do que isso.

Assumi uma função, ainda em vendas, com um monte de grandes contas corporativas e um vendedor júnior que antes vendia seguro (outra hora conto sobre ele. O cara ficou craque!).

Eu precisava de uma assistente, desesperadamente (mesmo rimando).

Negociei com o colega de canais e a carreira dos “olhos azuis” começou a decolar.

Primeiro foram só as tarefas operacionais, depois vieram os contatos com clientes, por telefone; a melhora nas roupas, o acompanhamento às minhas visitas, o tratamento dentário e finalmente uma carteira de cliente só para ela, com excelentes resultados!

Claro que escrevendo assim parece rápido e simples, né? Também, é claro, eu espero, que você saiba que não foi.

Gastamos alguns anos nesse processo, vários treinamentos, vários bate-papos (alguns chamam de entrevista, mentoring) e muita, muita vontade da funcionária de crescer, progredir, aprender.

A dica: Acredite no potencial das pessoas! Comece dando papinha na boca, antes de oferecer um churrasco de costela (adoro costela!).

Acima de tudo, fique atento às respostas que você está obtendo do outro lado. Não se pode ajudar quem não quer ser ajudado (Tá! Sei que é jargão, mas é a pura verdade).

PS: A última notícia que tive dos olhos azuis é que está casada, tem um casal de filhos e foi executiva de vendas em uma grande empresa.

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