Buscar
  • Alexandre Barbosa

O Suor Poupa o Sangue


Estávamos na Estação Antártida Comandante Ferraz (EACF), uma das áreas mais remotas do globo terrestre. Era final da tarde do último dia em que o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel apoiando a operação.

Os mantimentos e os equipamentos tinham sido desembarcados e o navio iria iniciar a viagem de volta ao Rio de Janeiro, ... a maioria das pessoas da estação estava a bordo do navio para as despedidas da Operação Antártida XII e o início da Antártida XIII. Eu era o Subchefe da Operação.

Uma das regras era ficar o Chefe ou Subchefe sempre na Estação e estava comigo, dentro da EACF, um pesquisador.

Outros pesquisadores haviam subido no teto da estação, por uma saída de emergência, para verem a saída do navio.

Era uma prática, na época, o navio se despedir soltando alguns fogos e os pesquisadores que estavam no teto da estação pediram para que eu autorizasse o lançamento de um sinalizador em retribuição à despedida do navio. Não autorizei. Não via necessidade.

- Por favor, Sub! - eles insistiram.

Cedi. Afinal a operação estava iniciando naquela noite e seriam longos meses de solidão Antártida.

- Leiam as instruções para utilização do sinalizador” - recomendei.

Lembro de ter visto um clarão dentro da estação e a parede da sala de estar começou a pegar fogo. O sinalizador foi colocado invertido e, ao invés de subir, entrou pela saída de emergência.

A Antártida é conhecida como o “deserto polar” por causa da sua baixa umidade, só comparada com os piores desertos da terra. A estação era forrada de madeira, na parte interna, por conta do isolante térmico. ... Eu estava com dificuldade de locomoção porque uma das minhas pernas estava engessada... O que impediu que a situação se agravasse foi a atitude do pesquisador que estava comigo ... qu,e imediatamente, pegou alguns extintores de incêndio e, em meio às chamas e fumaça, conseguiu apagar o incêndio.

Felizmente, a preparação das equipes que vão permanecer isolados na Antártida é muito rigorosa!

Após muitos exames médicos e psicológicos, são realizadas semanas de treinamento em montanhismo, sobrevivência em clima frio, atividades aquáticas e curso de combate a incêndio...

Tivemos um excelente inverno na Antártida, durante a Operação Antártida XIII.” – CMG (FN-RRm) Alexandre da Rocha Correa

Comandante Correa é um Comandos Anfíbios com vasta experiência em liderar equipes e organizações de alta performance.

Fomos formados juntos, no turno 87/1 e seu relato confirma que, seja na Antártida ou na sua organização, o treinamento é fundamental para a solução de crises.

Se você quer ter uma equipe de alta performance, priorize o treinamento, o desenvolvimento, de cada um dos seus membros.

4 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

A Arte de Liderança dos Comandos Anfíbios

Em breve, vou lançar o livro A Arte de Liderança dos Comandos Anfíbios - Os 7 Princípios da Tropa de Operações da Marinha para Equipes de Alta Performance. Você quer ter uma equipe de alta performance