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  • Alexandre Barbosa

Mudanças

Tudo parecia ir bem. A empresa não possuia o modelo mais moderno do mundo, mas pertencia a um grupo sólido e de excelente reputação!

Eu havia, finalmente, voltado a exercer uma atividade que adorava: fazer mudanças!!!

O objetivo era claro, uma vez que a empresa estava dando prejuízo a quatro anos: transformar a operação em algo lucrativo.

Opa! Antes de irmos em frente, espero que você não esteja pensando o que muita gente “boa” pensa: Melhorar o resultado é fácil! Basta cortar despesas! Sair demitindo pessoas e aí tudo resolvido!

Pois bem, depois de ouvir de toda a presidência e diretoria que eu poderia e deveria exterminar com a população da empresa, internei-me, de corpo, alma, mente e qualquer outra parte de mim mesmo, para ver se ao menos conseguia entender “what a hell was going there”.

O que me espanta é que essa “crença” é aceita por seres até inteligentes, com bastante experiência de vida. Gosto de rotulá-los de administradores medíocres (peguei pesado, né?)

O primeiro dia foi cheio de sinalizações de que a mudança seria muito mais complexa do que eu imaginava.

A empresa ficava em um andar cumprido. O silêncio mórbido reforçava a semelhança com uma repartição pública.

Na primeira vez que a minha secretária (fiquei sabendo, mais tarde, que tinha o apelido de Mortiça). Então, a primeira vez que ela entrou na minha sala para perguntar se poderia agendar um horário para eu receber um dos gerentes, rompi o silêncio mortuário e gritei no meio do corredor: se a minha porta estiver aberta, qualquer pessoa pode entrar e falar comigo, a qualquer hora, sem sequer falar com a secretária.

Parecia que eu havia anunciado que eu era um extraterrestre…

Daí para frente, foi uma coleção de coisas inéditas: uma funcionária chorando no banheiro, depois de uma reunião que ela se sentiu ouvida, as pessoas descobrindo que não precisavam fugir de mim porque estavam tomando café e conversando um pouco, a Mortiça descobrindo que não precisava me chamar de doutor e por aí vai.

Pois bem, mudanças foram feitas com algumas poucas demissões para ajustar um novo modelo e até acho que talvez a empresa voltasse a voar, se eu não tivesse que começar um outro negócio, totalmente diferente… Mas isso o conto em uma outra oportunidade.

Não vou descrever a metodologia que usei. Se você estiver curioso, basta ler John Kooter, Changing Management e/ou Our Iceberg is Smelting.

O que quero é contar o segredo de como esse tipo de coisa pode dar certo, do jeito que deu: Foco total nas pessoas.

Ah! Tá achando óbvio? Não é segredo nenhum? Engano seu.

Não estou falando só da retórica, da pontinha fora d’agua do iceberg. O segredo é dar mesmo atenção às pessoas! É a capacidade de envolvê-las para que se comprometam!

É baixar a guarda e não tentar proteger suas inseguranças com o escudo do autoritarismo.

Não se deixe enfeitiçar pela falsa proteção que emana do ostracismo do poder. Você só vai conseguir obediência falsa ou medo.

Nenhum desses dois ingredientes vai fazer o bolo crescer.

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