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  • Alexandre Barbosa

Bêbado, Inocente e Apaixonado

O cliente era um banco de tamanho médio, com sede no Rio. O gerente de informática tinha um nome impronunciável e uma cara nada amigável.

Na época, além de promover o produto da empresa com demonstrações, eventos, ajuda de vendas aos parceiros de negócios, eu usava os conhecimentos adquiridos do passado (curso de engenharia eletrônica da Escola Naval) e outras experiências, para instalar e configurar os produtos que a empresa vendia.

Fico me perguntando com é que eu fazia tanta coisa e como a empresa permitia isso! Um cara com um passado militar em Operações Especiais, sem nenhuma experiência em vendas que só arranhava o mundo dos bits e bytes da Tecnologia da Informação, do início da década de 90.

Viajei um pouco… deixa eu voltar (claro que você deixa, né? Afinal que opção você tem, além de parar de ler?)

Uma das nossas revendas tinha vendido um sistema de correio eletrônico para computadores de pequeno porte, mas não tinha a menor idéia como instalar e configurar o bicho. Resultado? Sobrou para mim!

Eu tinha conseguido uma certificação técnica no produto, mas estava longe de me considerar preparado para encarar uma instalação no mundo real. Além disso, o cara de sobrenome esquisito tinha tanta certeza quanto eu da minha pouca capacidade.

Se você tem alguma familiaridade com a informática e está lendo essa crônica numa época parecida com a qual eu a estou escrevendo, deve saber que, apesar dos manuais detalhados que contam passo-a-passo tudo o que você precisa fazer para um software ou sistema funcionar, nunca dá certo! Desta vez não foi diferente…

O prazo final corria como um louco na minha direção e eu gastava madrugadas inteiras tentando fazer o sistema funcionar.

O gerente de nome complicado, em um primeiro momento, não parecia nada satisfeito.

O final da estória? Bem, um comandante que eu tive na Marinha dizia que os deuses protegem os bêbados, inocentes e apaixonados. Eu não bebia naquela época e já tinha deixado de ser inocente a muito tempo. Mas era totalmente apaixonado pelo que eu fazia.

Os deuses fizeram seu trabalho e eu fiz o meu!

Paixão! Não apenas gostar do que faz. Estar apaixonado! Através da paixão superamos as expectativas, aumentamos nossa capacidade de produção, influenciamos o andamento das coisas.

Ainda mais importante de todo esse poder que a paixão nos dá, é que, através da paixão, influenciamos pessoas.

Sabe o gerente de nome esquisito? Pois é, virou um grande amigo. Fizemos muitos negócios depois desse episódio e anos, muitos anos depois, a vida nos aproximou e relembramos rindo do que passamos, reafirmando uma amizade que dura até hoje (tudo bem, faz tempo que a gente não se vê, mas sei que continua um bom amigo).

Quando somos apaixonados pelo o que fazemos e associamos a isso às pessoas que nos cercam, respeitando-as, considerando-as, mesmo que não participem da mesma paixão, posso garantir que os deuses protejem. E até hoje tem sido assim!

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